Fonte: Canal RH

por Leandro Fernandes
Integrar cerca de 380 mil pessoas espalhadas por diversos países ao redor do globo. Reduzir as barreiras geográficas, fazendo com que públicos de diferentes idades, diferentes culturas e diferentes posições dentro do organograma se conversem e troquem experiências. Esse tem sido o papel das redes sociais dentro da rotina da IBM Brasil, segundo conta o gerente de novas tecnologias da empresa, Cezar Taurion.

O gerente conta que desde que sites como Orkut, Facebook, entre outros, começaram a ganhar mais corpo e mais importância, agregando milhões de usuários, a empresa decidiu trazer o conceito para dentro de casa, criando suas próprias ferramentas. Hoje, de acordo com Taurion, grande parte das inovações implantadas em seus produtos baseia-se em ideias que surgem de discussões propostas nesses espaços. “O próprio Lotus Connections (software que permite acessar todo conhecimento produzido dentro da organização, com o intuito de facilitar a resolução de problemas) foi elaborado a partir dessas idéias voluntárias”, conta Taurion.

Ao todo Taurion dá conta de que somente em 2008 as redes sociais criadas dentro da IBM foram responsáveis pela geração de mais de 45 mil ideias. Ele conta ainda que a discussão dessas idéias em escala global, o que acontece por meio das ‘inovation jam’, fóruns promovidos dentro das redes para discutir grandes temas, tem ajudado a acelerar o processo entre o surgimento da idéia e a sua implantação, seja em forma de produto ou processo.

Chamada de Greater IBM, a rede social da companhia abriga uma série de grupos, divididos em temas diversos, como sustentabilidade, marketing, etc. É o que conta o diretor de Comunicação e Marketing da companhia, Mauro Segura. “Uma das redes foi criada com o objetivo de integrar funcionários, ex-funcionários e colaboradores já aposentados. Ao todo temos 50 mil pessoas conectadas e esse número vem crescendo num ritmo vigoroso”, diz.

A quebra de barreiras hierárquicas e geográficas (o que inclui o aproveitamento de uma imensa diversidade cultural) são outros fatores positivos a serem destacados em relação às redes. “Numa empresa de grande porte o organograma se faz muito presente. Na rede, um estagiário pode debater um tema com o presidente, o que nem sempre é possível fora do mundo virtual”, diz Taurion. “Na rede, o espaço físico deixa de ser relevante e torna possível que colaboradores que vivem em diferentes culturas e pensam de forma diferente discutam problemas comuns e compartilhem soluções”, completa Segura.

Para ambos, assim como para a gerente de comunicação interna da IBM Brasil, Flávia Apocalypse, as redes sociais tendem a estar cada vez mais presentes nas organizações daqui em diante. “Elas se tornam muito importantes à medida que a dinâmica dos negócios exige equipes mais integradas”, diz Flávia. “As redes são um exemplo do que vai ser o mundo no futuro: globalizado e cooperativo”, reforça Taurion.

Na visão de Segura, o medo de perder o controle é uma das maiores barreiras para empresas que pretendem trazer as redes corporativas para dentro dos seus portões. “O mundo colaborativo vai contra a premissa de controle e as empresas terão de saber lidar com isso. Nós estamos aprendendo”, diz. “Nem sempre será possível ter domínio sobre aquilo que será exposto nas redes. Hoje, a comunidade da IBM no orkut reúne 50 mil usuários e não foi criada por iniciativa da empresa”.

Para Taurion, reduzir o ímpeto de controlar é fundamental para que a penetração das redes se dê de forma natural e incentive a inovação por meio da troca de informações. “Para inovar as pessoas precisam de liberdade. Só com isso se cria uma cultura de inovação”.

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