Em dezembro de 2008, falando a um grupo de jornalistas e investidores no Churchill Club, em São Francisco, o cofundador do Twitter, Evan Willians, brincou ao falar que “é bom que as expectativas estejam altas, mas nos deem um minuto”.

A referência de Willians, criador junto a Jack Dorsey e Biz Stone , era clara: por mais que o mercado desse cada vez mais atenção ao Twitter, era preciso paciência até que o serviço se armasse para corresponder a esta expectativa.

Se o Twitter se mostrou relevante em 2008, provando como pode ser uma útil ferramenta de comunicação em desastres, o serviço de microblog rompeu as barreiras que os separavam do uso em massa e se tornou amplamente popular em 2009.

A popularidade é exemplificada pelos dados da consultoria Nielsen: nos Estados Unidos, o Twitter fechou 2008 com 2,7 milhões de usuários únicos em dezembro.

Quase um ano depois, em novembro de 2009, o número de norte-americanos visitando o serviço atingia 19,1 milhões, após atingir o ápice de popularidade em setembro, quando 26,1 milhões de usuários entraram no Twitter.

No Brasil, é possível ver crescimento semelhante. Em dezembro de 2008, eram 274 mil brasileiros acessando o serviços de microblog. Em novembro deste ano, já eram 8,8 milhões, segundo dados do Ibope Nielsen Online.

Vale aqui a ressalva: a metodologia da consultoria foi atualizada em maio, quando tanto usuários domésticos como corporativos começaram a ser computados na medição.

Até maio deste ano (o que inclui o número referente ao final de 2008), a medição contemplava apenas usuários domésticos.

As razões para a popularização
“O Twitter cresceu no mundo todo bastante no primeiro semestre”, afirma o analista do Ibope Nielsen Online, José Calazans, classificando o período como “um salto espetacular” para o serviço.

Passado o primeiro semestre, porém, o Twitter começou a se estabilizar. É possível cogitar algumas possibilidades que expliquem o forte crescimento do Twitter nos seis primeiros meses do ano tanto nos Estados Unidos como no Brasil.

Calazans afirma que a vitória do então candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, fez com que o Twitter se tornasse conhecido do público norte-americano, ainda que não tenha feito com que os acessos ao serviço crescessem nas semanas seguintes.

“O Obama foi um marco já que se falou muito” sobre a estratégia de comunicação digital elaborada pela consultoria Blue State Digital, que mantinha correligionários  informados em redes sociais como o Facebook e serviços como o Twitter.

O reflexo da eleição de Obama na base de usuários do Twitter, segundo o analista, veio apenas em janeiro. Três meses depois, foi a vez da indústria do entretenimento norte-americana catapultar a audiência do Twitter.

Em abril, a popular apresentadora Oprah Winfrey não apenas estreou seu perfil no microblog, como também levou o ator Ashton Kutcher para falar sobre o desafio que havia proposto ao canal de notícias CNN para ver quem chegava primeiro ao milionésimo seguidor.

A “guerra” entre Kutcher e CNN (vencida dias depois pelo ator) deu cobertura na mídia suficiente para que o tráfego do Twitter ultrapasse as versões digitais de jornais como The New York Times ou The Wall Street Journal.

Em junho, o levante popular contra uma suposta fraude na eleição presidencial no Irã não apenas aumentou o interesse na ferramenta, mas também trouxe um novo exemplo de aplicação do Twitter além da publicação de atividades cotidianas, como já acontecera em 2008 com os ataques terroristas em Mumbai e a enchente em Santa Catarina.

Fonte: UOL

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